Another Words


Hate to say goobye
20 de fevereiro de 2010, 5:03 AM
Filed under: 1 | Tags:

O grande problema em conhecer gente nova em outro país é que, uma hora ou outra, vai chegar a hora de dizer tchau. Eu sempre destestei despedidas, vide meu saudosismo quanto ao Ensino Médio. Eu sou extremamente sentimental com essas coisas.

A situação fica ainda pior quando você sabe que provavelmente vai ser a última vez que você vai ver a pessoa na vida. Tudo bem que a tecnologia tá aí pra suprir essa sensação terrível, mas de qualquer forma é diferente.

Hoje eu tive que passar pelo péssimo ritual de dizer tchau pra turma do inglês aqui. Eu sei que só fiquei lá por 3 semanas e que essa despedida me afetou mais do que a eles.

Isso aconteceu porque eu aprendi tanta coisa além dos americans idioms and vocabulary and  everything else. Na minha sala, tinha pessoas de todas as idades, da China, do Irã, da Bulgária, do Japão, da Rússia, do Afeganistão, do México, de Honduras, de El Salvador, da Guatemala… Cada uma com a sua cultura ainda muito presente na personalidade, no sotaque, nas comidas esquisitas das festinhas, no jeito de pensar, nas histórias… Não tem como você tar nesse meio, com tanta gente completamente diferente e isso não te afetar.

Eu percebi o quanto o Brasil é um país maravilhoso. A gente vota! Sério, a gente realmente vota! Quando eu perguntei pra Helen, uma 40-something years old chinese, como era o sistema eleitoral de lá (só fiz essa pergunta nerd porque a gente tava na civic week) ela disse que não sabia, porque nunca tinha votado. Tá certo que nem sempre a gente vota na pessoa certa, mas quando algum político faz uma puta de uma burrada, a gente pode falar pra deus e o mundo “político burro!” sem ser preso. O Kiyaroshi, the cutie and funny  iranian doctor, disse que ninguém lá pode falar uma coisa dessas, porque o governo não vai deixar passar batido. Eu sei que na teoria todo mundo sabe que a China e o Irã são países democraticamente falhos. Mas uma coisa é você ver na TV o que acontece e outra é você falar com alguém que já viveu naquela sociedade, com as próprias impressões e experiências naquilo que pra nós, brasileiros, parece uma coisa do século retrasado.

Eu percebi também o quanto o Brasil ainda pode melhorar. A Denny,  the beautiful girl from Bulgaria, disse que achava que ia pedir demissão porque a moça que tá substituindo ela enquanto ela tá aqui nos EUA tem 40 anos e, se ela perder o emprego, vai demorar muito pra achar outro. Enquanto que ela (a Denny) é nova ainda e tem bem mais chances de conseguir um outro emprego. Oi?! Você mora no planeta Terra? Esse tipo de bondade ainda existe por aqui?

Esse tipo de experiência faz você abrir seus horizontes e ver tanta coisa… O malandro da Guatemala de roupa larga lá do fundão na verdade escreve muitíssimo bem, o chinês que tem cara de não querer muito papo senta do seu lado pra saber como é a sua cidade, o vovô de boné de Honduras anota o nome de cada aluno que aparece na aula pra que ele não esqueça, o colombiano sério da voz grossa lê o jornal diário e sabe a origem de todas as palavras que são escritas no quadro, o mala de El Salvador que te chama pra sair fala coisas pra você repensar sobre si mesma, a iraniana cheia de maquiagem tem o sorriso mais bonito do mundo e uma simpatia incomparável, a japonesinha magrela e tímida é a pessoa mais doce que se pode conhecer, sem ser idiota… O professor que faz piadinha sobre o seu jeito de sentar e que faz careta quando você fala baixo demais fala as coisas mais simples que dão aquele nó no peito.

Essas e tantas outras muitas lembranças das minhas três últimas semanas na escola me fizeram repensar sobre muitas, muitas coisas sobre mim mesma. Eu espero não esquecer tão cedo desse aprendizado e, principalmente, daqueles que me ensinaram tudo isso.

Anúncios